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ARQUIDIOCESE
CELEBRA
O SEU
CENTENÁRIO
Domingo, 08 de junho de 2008
Trinta mil pessoas compareceram ao estádio do
Pacaembu, no domingo, dia 8 de junho, para
celebrar os 100 anos da Arquidiocese de São
Paulo. A missa foi presidida pelo Núncio
Apostólico, Dom Lorenzo Baldisseri com a
presença de trinta e dois Bispos, trezentos
padres e o nosso Cardeal Arcebispo Dom Odilo
Pedro Scherer. Na ocasião foi lida a Mensagem do
Papa Bento XVI para o Centenário e feita a
entronização da imagem de São Paulo no estádio,
sendo desta forma decretado solenemente o
Apostolo Paulo como patrono da Arquidiocese.
Naquele dia assumiu-se o gesto concreto deste
centenário: a construção da Igreja de Santa
Paulina, na Favela de Heliópolis. Antes da Missa
aconteceu um show com a presença da Banda
Mensagem Brasil, Irmã Mirian Kolling, Pe. Juarez
de Castro, Pe. Zezinho, Pe. Antonio Maria e
Agnaldo Rayol. O evento terminou com uma
carreata que conduziu a imagem de São Paulo até
à Catedral da Sé e lá sendo recebida pelos
cônegos e entronizada solenemente.
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- Campanha da Fraternidade 2008
A
Campanha da Fraternidade de 2008 já tem tema:
“Fraternidade e defesa da vida”; e o lema é: “escolhe,
pois, a vida”. Este tema assume importância sempre maior
no Brasil e no mundo em vista das ameaças e agressões
constantes à vida, o bem mais importante e precioso sobre
a face da terra.
Nas suas múltiplas formas e manifestações, a vida é um bem
impagável e indisponível; cada ser vivo manifesta, à sua
maneira, a sabedoria e a insondável providência de Deus
Criador. Não criamos a vida, mas temos o tremendo poder de
destruí-la; e a destruição da vida pelo descuido e a
imprudência humanas, ou pela ganância sistemática e cega,
é ofensa ao Criador. Muitas formas de agressão ao
ambiente, bem como a interferência leviana na natureza dos
organismos vivos, coloca em sério risco a existência da
muitos seres vivos, vegetais ou animais. Vem ao caso de
perguntar: que tipo de mundo e ambiente estamos preparando
para as gerações que virão depois de nós?!
Tratando-se da vida humana, as questões tornam-se ainda
mais preocupantes. A pobreza extrema e a falta de
políticas sociais adequadas deixam a vida humana exposta a
situações de risco e precariedade. A violência endêmica e
o crime organizado ceifam numerosas vidas humanas,
lamentavelmente, muitas delas, em plena flor da juventude!
Submetida à lógica do mercado e da vantagem econômica, a
vida humana acaba valendo muito pouco. A degradação
ambiental, a contaminação e poluição das águas e do ar, em
conseqüência de políticas econômicas irresponsáveis,
desencadeiam mecanismos que põem em risco a própria
sobrevivência da vida no nosso planeta.
É impressionante o número de abortos clandestinos
realizados todos os anos no Brasil. São seres humanos
inocentes e indefesos rejeitados, aos quais é negada a
participação no banquete da vida. E com os abortos
clandestinos, tantas mulheres também perdem a vida, em
conseqüência de abortos mal-feitos. Legalizar o aborto
seria a solução, para salvar a vida de muitas mulheres? É
o que alguns pretendem. Mas essa solução seria trágica,
cruel e imoral, pois ambas as vidas são preciosas, tanto
mais, quanto menos culpa têm a pagar. A vida da mãe e do
filho precisa ser preservada. A solução é a educação para
a maior valorização da vida humana e para comportamentos
sexuais conseqüentes com a grande responsabilidade de
transmitir a vida a um novo ser humano.
Ameaça não menos preocupante para a vida humana é a
pretensão de legalizar a eutanásia, uma intervenção
intencional e direta para suprimir a vida humana. O ser
humano, desde o início da história, sempre teve a tentação
de se tornar senhor absoluto da vida e da morte; claro, é
pretensão dos fortes sobre os mais fracos. E isso não lhe
trouxe nada de bom. Só Deus é senhor da vida, porque só
ele é capaz de chamar do nada à existência e de dar
plenitude à vida humana. Por isso escreveu no coração do
homem esta ordem: “não matarás!”
Proteger, defender e promover a vida é tarefa primordial
do Estado, sobretudo a vida indefesa e frágil, como a dos
seres humanos ainda não-nascidos, das crianças, idosos,
pobres, doentes ou pessoas com deficiência. É ação
política por excelência, que não poderá orientar-se pela
lógica do “salve-se quem puder”, que só beneficiaria os
mais fortes; ela requer o envolvimento solidário de todos
os cidadãos. A defesa da vida e da dignidade dos outros
seres humanos contra toda forma de agressão, prepotência
ou aviltamento interessa a toda a família humana; é
manifestação suprema de fraternidade.
O lema – “escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19b) – é tomado do
livro do Deuteronômio. O povo hebreu, beneficiado pela
ação libertadora e salvadora do Deus da vida, é colocado
por Moisés diante da grave alternativa: escolher a vida e
um futuro esperançoso para si e seus descendentes,
permanecendo fiel aos mandamentos de Deus, ou escolher a
morte, andando por caminhos de idolatria e servindo a
“deuses” fabricados para a própria conveniência. Isso vale
para a globalidade das decisões humanas: nossas escolhas
têm conseqüências sobre a vida e o futuro. A escolha livre
e responsável do respeito aos mandamentos de Deus e do seu
desígnio de vida significa bênção, esperança, futuro. O
desprezo ao desígnio do Deus da vida e seus mandamentos
traz a desgraça, a morte.
Esta é a grande questão posta pela Campanha da
Fraternidade de 2008, que será ocasião para refletir sobre
a complexa problemática que atinge a vida sobre a terra,
em especial, a vida humana. Está em jogo o futuro da vida
na Terra, nossa casa comum, e de todos os seus habitantes.
Uma solução responsável só poderá ser solidária e
fraterna, no pleno respeito ao desígnio de Deus Criador e
Senhor da vida.
D.Odilo Pedro Scherer
Bispo Auxiliar de São Paulo
Secretário-Geral da CNBB
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