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Podemos
dizer que idéia da gravação de cenas “nasceu” da necessidade de
“crescermos”.
Com a constante atuação no roteiro e nos textos, cuidadosamente
preparadas por mim e revisadas pelo Pe. Carlos, haveria uma
maior quantidade de cenas a serem representadas. Entretanto,
inviabilizaria o espaço que temos no presbitério e nas demais
dependências da paróquia que são utilizadas para a apresentação
ao vivo; não tínhamos espaço, recursos e nem pessoal para
representar e para fazer a transição de cenários.
Com isto, decidimos gravar as cenas e retransmiti-las na hora da
peça, em ordem cronológica aos acontecimentos da história.
Muitos espetáculos teatrais hoje dispõem deste recurso de
transmissão de cenas gravadas para a transição entre outras
cenas ao vivo. É uma bela ferramenta! Uma “cartona” na manga.
Como as cenas seriam gravadas, “poderíamos errar”, pois teríamos
tempo e maneiras de corrigir a tempo, bem diferente de uma
apresentação ao vivo.
Isto nos permitiu trabalhar mais os papeis, o elenco, a
maquiagem e os efeitos como dramaticidade e até violência.
Do ponto de vista cultural, a peça ganhou muito com estes
fragmentos gravados, pois além de aumentar seu tempo de duração,
possibilitou uma maior interação da platéia e maior desenvoltura
por parte da equipe.
Cinédrio
– Jesus é levado à
interrogatório e é humilhado.
Nesta cena, tentamos retratar o interrogatório de Jesus.
Tentamos passar a arrogância e a cegueira motivada pela inveja
dos sacerdotes do templo. Caifás e Anãs não mediram esforços
para humilhar Jesus na frente de todos.
Gravamos esta cena por 3 vezes em 2 tomadas. Portanto, o Octávio
(Jesus) levou 3 cusparadas com água do Luiz (Caifás) e de
quebra, 3 “tabefes” do Dr. Marcello (Anãs). Mas sinceramente,
isto é só o começo.
Palácio de Pilatos
–
Jesus é interrogado pelo governador.
Aqui já é uma cena calma, porém muito mais técnica. Havia fala
dos personagens, inclusive com a passagem bíblica que era o
tema do ano: “O que é a Verdade?”.
O Leandro, nosso técnico de áudio queimou a cabeça para fazer
com que nenhum detalhe escapasse e que as 1000 pessoas esperadas
no dia da peça, ouvissem todo o diálogo entre Jesus e Pilatos.
Isto acabou envolvendo nosso técnico de filmagem, o Fabiano. Foi
um verdadeiro trabalho em equipe.
O
suspense e tensão da cena foram passados à platéia com muita
excelência. Mais uma prova de elevado padrão técnico e
profissionalismo.
Palácio de Herodes
– Jesus é humilhado pelo Rei da
Galiléia.
Uma das
nossas obras primas! Nem tanto pelo aspecto técnico, mas pelo
“show” de interpretação do Marcelo (Herodes).
Na
verdade, ele pegou todos nós de surpresa. Nos três takes
que fizemos com esta cena, ele foi demais! Sua risada marcou
muito. O desprezo e a futilidade que estavam inerente à seu
personagem ficaram bem evidentes.
Foi mais uma agradabilíssima surpresa que pudemos presenciar.
Açoites
–
Flagelo de Jesus
O
que dizer desta cena? Foi um sonho antigo, desde a primeira
edição da peça queríamos reproduzir esta cena. Mas o grande
desafio era reproduzi-la com riqueza de detalhes, dramaticidade
e sofrimento à altura deste sacrifício que Cristo fez por todos
nós.
Nos primeiros anos, optamos por utilizar a cena do filme do Mel
Gibson “A Paixão de Cristo”. Extremamente emocionante e
impressionante mais pela violência do que pelo sacrifício.
Mas faltava o desafio de termos a nossa versão para esta cena.
Aliás, quando a escrevi, imaginei que poderíamos transmitir a
mesma mensagem de amor, mas com “menos sangue pingando”.
Mas,
além disso, precisávamos de parceiros, pois uma cena como esta
certamente requereria um grau de investimento significativo.
Com isto, saímos atrás de um parceiro e o encontramos em
Ribeirão Pires, morando em seu Castelo: o bondoso mestre Robson
Miguel.
Ele não apenas acreditou em nosso projeto, como também nos
ajudou a tornar esta cena realidade. Uma das masmorras de seu
castelo serviu de cenário perfeito para a gravação da cena. Após
um dia inteiro de gravações na fria Serra do Mar, com 3 carros
cheios de equipamentos e elenco, finalmente a Paixão de
Cristo tinha sua própria cena açoites.
E
depois de uma edição excelente feita pelo Benelli Studio, a cena
foi ao ar em nossa apresentação na edição de 2008, resultado:
mais de 1000 pessoas extremamente emocionadas com a
dramaticidade da cena, com um sentimento “bairrista”, pois
aqueles na tela eram os mesmos que acabavam de passar entre os
bancos da paróquia. Foi “do caramba!”
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